Èsú e Òrúnmílà

Òrúnmílà é a divindade do oráculo, sabemos disso veio pela primeira vez a este mundo enviado por Olódùmarè para acompanhar e aconselhar Obatala na organização da Terra.

O nome de seu pai Orokó e sua mãe Alájémi, onde seu pai viveu em Ilé – Ifé – Oke – Igeti, e que seu nome era Agbon – miregun.

Olódùmarè enviou Òrúnmílà para supervisionar assuntos ligados à gravidez,

partos, doenças; ensinar o uso de ervas e a ordem geral do novo mundo de acordo com os ODU “destino de cada indivíduo”.

Quando deixou o céu, seu primeiro lugar de parada foi Usi, em Ekiti. Decidiu contudo, não fazer de Usi sua residência permanente, devido às pressões dos habitantes para que ele fixasse residência entre eles.

Apenas estabeleceu seu culto lá e se mudou. Sua próxima parada foi em Ado tendo o mesmo resultado do primeiro local. A terceira parada foi Ijexá – Obokun, onde apenas repetiu o que tinha feito no primeiro e segundo lugar de parada. Porém, quando chegou em Ilé – Ifé, ficou satisfeito porque tinha encontrado um lar e fixou residência; mas não antes de informar aos habitantes

do local que ele pertencia ao mundo inteiro, e que estaria disponível a toda hora e em qualquer lugar onde ele fosse solicitado.

Seu culto é encontrado em todo lugar e seus sacerdotes proclamam que ele é um rei universal, os Yorubas têm uma fé implícita em Òrúnmílà como a divindade – oráculo de Ifá.

Tradicionalmente acreditam que Olódùmarè dotou Òrúnmílà de especial sabedoria e conhecimento, com o objetivo de torna – ló seu representante na Terra em assuntos relativos ao destino do homem.

O próprio Olódùmarè estava perplexo de um assunto importante, porém, todas as divindades falharam em dizer – lhe a razão da sua perplexidade somente Òrúnmílà teve sucesso em apontar a fonte desse problema.

Desse modo, Olódùmarè escolheu Òrúnmílà para ser seu representante; e desde então ele tem sido o grande conselheiro para todos da Terra.

O poder de Òrúnmílà em guiar o destino das divindades e dos homens, advém de sua presença, quando o homem foi criado e seu destino selado.

Ele sabe todos os segredos do ser humano, ele pode predizer o que vai se passar ou prescrever remédios contra qualquer eventualidade. Ele é chamado de ELÌRÌ – ÍPÌRÍ “a testemunha ou advogado da sorte”.

Isto se refere à dupla concepção dele como testemunha de todos os segredos ligados ao ser humano. Ele aparece como sendo a única divindade com poderes a implorar a Olódùmarè.

A razão pela qual um homem deva adotar Òrúnmílà como sua divindade é para ter certeza que a sua sorte feliz seja preservada ou que sua sorte infeliz seja retificada.

Uma de suas invocações é OKITIBIRI, A – PA – OJO – IKU – DA, “o grande

modificador, aquele que altera a data da morte”. O culto de Òrúnmílà está

totalmente ligado à forma de adivinhação conhecida como Ifá.

Òrúnmílà é considerado como um poliglota, sendo assim fácil para ele

entender e aconselhar a todos.

Òrúnmílà é acreditado como um “Todo Poderoso” para promover sucesso e felicidade, sendo um grande médico, portanto, todo Bàbálàwo qualificado deve saber, não só como praticar adivinhação, mas também na elaboração de remédios de ervas ligados com o conjunto dos Odu.

A tradição mostra que existe um relacionamento íntimo entre Obatala e Òrúnmílà. Obatala é seu irmão mais velho e líder. Mostra que mesmo Òrúnmílà gostando muito de vinho de palma, ele se abstinha para agradar a Obatala.

Durante um festival, Obatala fez uma visita a Òrúnmílà e este queria beber vinho de palma, como era o seu costume. Assim ele teve que comprar duas novas cabaças, uma para Obatala beber sua costumeira água, enquanto a outra ele usou para o seu vinho de palma.

Enfatizou que Òrúnmílà não podia abster – se de vinho de palma por muito tempo, pois o vinho de palma representa o leite dos seios de sua mãe.

Foi imposto a Òrúnmílà que ele deveria ser monógamo, ele não conseguiu este ideal.

Em Òrúnmílà, nós encontramos novamente outro elemento das exigências e emoções de moralidade na religião dos Yorubas.

Está estabelecido que um Bàbálàwo não deve abusar de seu ofício de jeito nenhum, se ele o faz, nunca será recebido no céu. Além disso, nenhum

Bàbálàwo deve usar sua posição para se enriquecer de nenhum modo, será que vimos isso nos dias atuais rsrs.

Não deve recusar a ninguém os seus serviços por causa de dinheiro. Se uma pessoa é pobre demais para pagar o costumeiro óbolo pela adivinhação, o Bàbálàwo deve adivinhar para ele sem pagamento.

Sua real recompensa está em servir Òrúnmílà.

Notamos que Ifá não é um Òrìsà como muitos o consideram, e sim o sistema da religião africana que está inserido toda a arte curativa ou destrutiva dos Yorubas.

Vamos ver também que Èsú é o mensageiro de Òrúnmílà em todo este conjunto de ensinamentos que remonta a milhares de anos.

Para enfatizar e tornar mais clara a ligação que existe entre Èsú – Òrúnmílà, no Odu Ogbè Ogundá que nos mostra de modo similar como Òrúnmílà (substituindo Obàtálà) apazigua Ìyá – mi com a ajuda de Èsú que, em sua qualidade de filho, de princípio de vida individualizada, conhece os segredos da procriação.

Seu elemento fundamental é um enigma que Òrúnmílà deverá ser capaz de resolver, para garantir sua própria existência e a dos seres humanos. Deveria adivinhar o sentido da seguinte frase: Elas dizem, lançar; Òrúnmílà diz, agarrar e isso sete vezes.

Òrúnmílà responde que elas vão lançar um ovo sete vezes e ele deverá agarra lo num punhado de algodão. Òrúnmílà é perdoado e também os filhos dos seres humanos. Os nascimentos podem continuar.

Para que a vida dos seres continue, Òrúnmílà deve conhecer o enigma da

fecundação, a relação de ovo com algodão.

Bàbálàwo tem o ponto de vista que Èsú foi criado para ser a divindade mão direita de Òrúnmílà, sendo o seu dever levar recados para Òrúnmílà, sempre estar atendendo – o e agir sob suas ordens.

Para Òrúnmílà é assinalado o dever de ouvir a voz de Olódùmarè e declarar a sua vontade para o mundo. Porém, sempre que a declaração de Òrúnmílà não for considerada, é o dever de Èsú trazer alguma calamidade como forma de punição para o recalcitrante.

Em troca, pelo serviço que Èsú presta, Òrúnmílà o alimenta, caso Èsú não se contentar com a oferenda, ele toma o encargo de estragar os trabalhos de Òrúnmílà.

O caráter de Èsú na tradição, é difícil de aceitar como correto o status no qual os babalawos tentam coloca – lo.

Èsú é certamente em algumas circunstâncias um Òrìsà e não pode estar em posição subordinada a qualquer divindade, especialmente aquela de um

obediente garoto de Òrúnmílà. Não há nenhuma dúvida que a tradição mostra existir uma ligação muito forte entre Èsú e Òrúnmílà; mesmo um pequeno mal entendido nessa relação pode facilmente levar a um erro de julgamento a favor de um e outro.

IFA GBE AWO!

Templo de Culto a Òrúnmílà

Bàbálàwo Fatunbi Adeniji

 

 

 

 

 

 

 

error: IFA DIZ NO ODU ODUNDARETE: QUEM IMITA FRACASSA!